21 de março de 2008

Ela aproveitava cada momento como se fosse o último. Apesar de tudo, eu via em seus olhos um brilho especial, um brilho que radiava e iluminava sua áurea de menina.
Menina ela não era mais, mas eu adorava pensar que por trás daquela mulher quase formada existia uma garotinha frágil que ainda dependia de mim. E eu a via assim.
Ela saiu de casa aos dezesseis anos, foi uma garota precoce. Ela cresceu como nenhuma garota de sua idade cresceria, aprendeu o que nenhuma garota de sua idade aprenderia, experimentou coisas que nenhuma garota de sua idade experimentaria: o gosto amargo da vida.
Às vezes me lembro com melancolia quando ela chegava do colégio e vinha aos meus braços me contar o que tinha feito em seu dia. Ou então quando eu ficava horas e horas esperando ela dormir. E seu sono... Ah, seu sono tão delicado e macio me acalmava também.
Agora? Bem, agora ela estará em algum lugar desse mundo, em alguma esquina imunda, sendo engolida pelas calçadas que o destino havia reservado a ela.
Eu sei que a culpa não foi minha. Ela fez tudo por conta própria. Era uma garota muito esperta e sempre tinha certeza do que queria.
Sempre carrego em minha carteira uma foto sua. Para me lembrar como era o brilho de seus olhos. E sinto saudade de quando a imagino como aquela menina doce, mas diga a ela que não quero que volte, pois ela mudou e não é mais a garotinha dos sonhos delicados.

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